
Simples assim, meio brega. Para coroar nossos anos e anos e idas e vindas, ele e eu ficamos noivos. Maktub.
Para começar Juquitiba. Perto. Pouco gasto, vários campings, longe da praia, bem a calhar para o sossego no carnaval.
O carro, um jipe, ótimo para aventuras. Quebrado.
Vamos de Uno mesmo.
Atraso, trânsito, calor de rachar.
Camping tipo família. Crianças. Piscina, quadra. Muita infra-estrutura para quem, como nós, queríamos apenas aventura. Nada adequado para o verdadeiro o contato com a natureza.
Procura.
Respostas: “há mais campings estilo "adventure" por aqui sim”.
Calor, estrada de terra esburacada. Dor nas costas.
Aflição.
Quero chegar logo, não me importa mais aonde, quero chegar.
"Como, lotado!"
"Tipo assim, reservado só para o pessoal da igreja?"
Desconjuro todos.
Muitas horas depois: Campos do Jordão. Fora de temporada.
Acho até que tem pouca coisa.
Esta data me fez lembrar que mãe é unica né?
Que mãe, senão a minha teria mandado cesta básica (cheia de miojos e sopas prontas) pelos Correios, quando eu ganhava apenas quatrocentos reais, e já morava sozinha e ela achava que eu poderia morrer de fome?
Que mãe, aproveitaria a viagem de volta à SP de cada um dos amigos que íam passear em Natal, e encheria um isopor com congelados delíciosos, do tipo coxinhas, esfihas e feijoadas para me entregarem, senão a minha?
Que mãe viajaria de férias para minha casa e, em vez de passear, faria reformas e faxinas na minha casa, senão a heroína que me pôs no mundo?
E quem mais, poderia ter permitido com seu sexto sentido fudido que eu ainda tivesse meu braço esquerdo hoje em dia? A Cidinha, é claro?
Já que a curiosidade mata o gato, deixa eu contar:
Estava com dez anos de idade, havia acabado de ser socorrida num hospital público perto da escola onde eu estudava, o braço quebrado depois de pular mula (lembram desta brincadeira?)...
A escola liga para casa, minha mãe vai me buscar e resolve conversar com um amigo médico, que disse: "Se vocês tem convênio, leve a menina, porque o caso é grave. Talvez precise de cirurgia."
Em casa, por volta das oito da noite, de bracinho engessado, minha mãe diz que vai me levar à uma consulta.
"Agora mãe? Deixa para amanhã, já fui socorrida mesmo..." - disse eu.
"Não filha, vamos agora." - foram as palavras dela.
Depois de alguns minutos em que eu tentei convencê-la de que poderia aguentar até o dia seguinte, afinal que diferença faria ter sido socorrida por um médico do governo e outro do convênio, ela me arrasta gentilmente até o carro rumo ao tal hospital que ela queria...
Chegando lá, as únicas palavras da médica ninja que só de ver a cor dos meus dedos pôde dar um diagnóstico foram: "Corra ao Hospital das Damas, porque a esta hora não temos mais ortopedista e se esta garotinha não tirar este gesso em 20 minutos o braço dela grangrenará".
Caracoles!
Já no Hospital das Damas, na sala da ortopedia, o médico não queria me atender. Esbravejava com minha mãe que meu caso era grave, que ele não ía colocar a mão na merda que outro tinha começado... E ainda xingava a coitada por ter "me levado" em médico ruim.
Daí que a mamãezinha da pessoa que vos escreve, vira na Giraia, pois por quê cargas d'água ela deveria ser culpada se o foi o "melhor" que a escola podia ter feito por mim? Isto que na época, ainda furamos a longa fila do atendimento com o desespero da professora...
Bem, só sei que eu via que a briga estava dando em nada, meus vinte minutos derradeiros como uma pessoa com dois braços se esgotando, começo a chorar... O médico-bonzinho-que-brigava-com-minha-genitora diz: "Só vou tirar por causa da menina, mas ela só sai daqui se for para uma internação pois vai ter que operar, o osso fraturado dela saiu do lugar...".
Enfim, operei, tenho dois braços saudáveis, mas penso até hoje, por que diabos, minha mãe, me vendo com gesso, em casa, tranqüilinha, pronta para dormir, insistiu em me levar ao hospital em plena noite, sendo que eu já estava "socorrida"?
Coisas de mãe... Porque se fosse pela filha, teria acordado no dia seguinte, com um bracinho morto, pronto para ser decepado...
É por estas e outras, que temos que comemorar o dia da minha mãe, não hoje apenas, mas todos, todos os dias!
Ah, sem ser egoísta, viva os dias das suas mães também!
PS: post fazendo parte da blogagem coletiva proposta pela Micha.
"Concedei-me Senhor, a serenidade necessária para aceitar as coisas que eu não posso modificar, coragem para modificar aquelas que eu posso, e sabedoria para distinguir umas das outras”.Confesso que ainda não tenho planos mirabolantes ou concretos, embora nunca deixe de sonhar com um mundo melhor (sou pisciana nata), os sonhos estão turbulentos, há tanto que se fazer, que se realizar. Não sei se presto concurso público, se troco de carro, se me mudo para Natal, se procuro outro emprego, se faço uma pós, se dou entrada no meu primeiro apartamento (a casa aqui é do meu pai)...