quarta-feira, 19 de março de 2008

Piercing

Numa ida ao Centro (eu adoro ir ao Centro de São Paulo) descobri com minha amiga uma ponta de estoque da Cavalera. Nunca imaginei usando roupas das marcas que fazem desfiles dos Fashion's Week's da vida, mas lá estava acessível para mim e tinha roupas que eu gostei e pude comprar.
Adoro ser diferente, talvez por isto, nem ligue mais para o fato de ter um piercing. Eu coloquei o meu no dia 5 de fevereiro de 1996, o meu primeiro salário com estagiária de Edificações lá nos Correios. Corri para a Galeria do Rock e voltei perfurada na barriga.
Choquei geral. Eu era o comentário da escola, da família, da vizinhança. Alvo dos olhares no trem que eu pegava quatro vezes por dia.
Depois que a tal da Carla Perez (que ódio ser homônima desta peça) colocou, e aí não era mais a diferença num corpo, era praticamente obrigação de qualquer pretensa a poposuda...
Mesmo assim, dia destes comprei um piercing de caverinha, com os olhos vermelhos, meio punk chique. Mas, exibir, só para o J.

domingo, 16 de março de 2008

Série eu creio

Na importância de se ter um canivete "suiço".
(O meu já está na bolsa).

quarta-feira, 12 de março de 2008

O que não ficou explicado e mais algumas coisinhas

Às vezes eu não quero ser compreendida na hora, mas nunca me recuso a explicar o que faço. Acho que quem tem blog sofre deste mal, adora se expor, dizer como é a vida, colocar em pauta sua opinião e afins.
Enfim, alguns projetos eu prefiro não assinar ainda. Trabalho no departamento de aprovação de projetos de uma cidade. Apesar de sermos em quatro profissionais que podem se revesar e uma aprovar o projeto da outra (sempre exigimos mais de nós mesmas do que dos outros), não quero, ainda, assinar projetos na cidade onde eu aprovo os projetos particulares.

Por outro lado, quando aceitei o departamento de controle urbano, que é o que aprova projetos, foi com a condição de que pudesse permanecer no departamento de habitação, aquele que faz projetos - projetos públicos, obras públicas e, no nosso caso, habitações de interesse social. Projetos em parceria com o governo federal (de onde vem os financiamentos) para a população carente da cidade.

Me orgulha ver que além da ação social, que não tem preço que pague, saber que conseguimos coisas com nossa força de vontade.
Virar noites, trabalhar em feríados para conseguir verbas, dando o sangue, para no final conseguir porque nossos projetos são bons. Ser pioneiros. Participar.
Aprender a lidar com a "burrocracia" de muitos órgãos. Conhecer leis (as ambientais são as piores). Tudo isto, no final não terá preço.

Vou olhar para trás um dia e ver o que fiz, o que ficou de bom.
Vou olhar para trás e ver meu curriculum. Sentirei orgulho.
Uma das mágicas da construção civil é poder transformar sonhos em concreto (com e sem trocadilhos).

terça-feira, 11 de março de 2008

Criando meu acervo

Enfim, meu projeto da área de lazer (particular) está saindo... Mas, não sou eu quem vai assinar.
Na contramão, no lado bom, acabei de recolher minhas primeiras ART's pela prefeitura.
Responsabilidade por Conjuntos Habitacionais de Interesse Social (neste caso, sem fins lucrativos) - porque por Interesse Social, definido pelo Código Sanitário do Estado é toda edificação com menos de 60 m², portanto, prédio com cobertura, piscina e churrasqueira na varanda em pleno Morumbi pode ser considerado de Interesse Social.
Meu caso é diferente. E outra, financiado por meios dificílimos de se conseguir verba: Ministério das Cidades, Caixa Econômica, Crédito Solidário e/ou afins.
Ou seja, que acervo rico engenheira!

terça-feira, 4 de março de 2008

Presente de visita ilustre


Dia destes um autor de livros deu a honra de dar uma passadinha por aqui.
O nome? Roberto de Carvalho, que junto com o espírito Basílio, escrevem romances espirítas.
Eu que adoro o tema, que adoro ler, que já conhecia o trabalho, fui presenteada (que delícia) com o novo livro dele: Sem o Véu das Ilusões.
Devorei rapidinho.
Conta a história de uma garota que decide acabar com a própria vida quando não vê mais saída para seus problemas. Fica a lição, o exemplo e explicações para muitas das questões da vida.
Ah, você gosta de romances? Que tal experimentar procurar histórias em outro tipo de prateleira?

Roberto, querido, obrigada pelo presente. Parabéns pelo livro e sucesso.

segunda-feira, 3 de março de 2008

Uma carta do papai

O J. quis se despedir do Nakombi: "escrevi uma coisinha para você colocar no seu blog".

"Nakombi
Nako
Nakomilino
Nakotraficante
Preto
Pretinho
Peto
Mandela

Também já chamei ele de chato, sarnento, pulguento...
Muitas vezes eu o amaldiçoei, mas em dobro eu o admirei e me encantei com suas peripécias.
A notícia de sua partida me doeu no coração... Uma dor que ainda não havia experimentado.
Vai ser estranho não vê-lo convidando a turma do bairro para comer em casa.
Vai ser difícil olhar para o cantinho onde ele ficava e vê-lo vazio.
Mas, o que me alivia o peito, é saber que ele está no céu dos gatos, correndo atrás de papel amassado, revirando lixo.... E, tenho certeza que ele lá de cima olha para baixo e dá uma ronronada.

Nako, se vc puder ouvir (ou ler) saiba que papai te ama."

J.

sábado, 1 de março de 2008

Ninho vazio

Nunca mais miadinhos por pura manha.
Nunca mais barriguinha para cima igual a um cachorrinho.
Nunca mais esperinha no portão ou corridinha de algum lugar onde fazia seus passeios chegando atrasado na espera da mamãe.
Nunca mais um ronronar coladinho ao corpo.
Nunca mais espantar o corpinho preguiçoso no tapete do banheiro.
Nunca mais olhar a carinha sentada na água do box depois de lamber a deliciosa água do chão.
Nunca mais ouvir o croc-croc das mordidinhas na ração.
Nunca mais salvá-lo das alturas perigosas ou dos gatões malvados das gangues de rua.
Nunca mais desacreditar que gatos têm medo de água ao vê-lo chegar enxarcado da rua.
Nunca mais vê-lo brincar com caixas de papelão, bolinhas de papel ou sacos plásticos.
Nunca mais disputar de volta meu carretel de linha.
Nunca mais tirar a mãozinha enxerida da gaveta de bijouterias.
Nunca mais ver a cabecinha entrando embaixo da mão para receber cafunés.
Nunca mais ouvir o tilintar do guiso da coleirinha chique com strass.
Nunca mais ser chamado de Cocada, por causa da gravatinha que teimava em ficar em pé.
Nunca mais precisar ser pego para tomar doses de remédios porque simplesmente queria ser maloqueiro como os outros e inventou uma sarninha teimosa.
Nunca mais bronca porque roubou o saco de pão.
Nunca mais a felicidade por uma comidinha proíbida, mas deliciosa.
Nunca mais disputar um lugar no travesseiro com a cabeça da mamãe, ou chegar de mansinho de madrugada para dormir pertinho dela.
Nunca mais um pulo de supetão no colo.
Nunca mais uma deitadinha em cima do estabilizador quentinho.
Nunca mais um passeio em cima dos projetos de trabalho da mãezinha.
Nunca mais uma cochilada preguiçosa no telhado, ou chão ensolarado pela manhã.
Nunca mais...






Por que Nakombizinho você não saiu debaixo daquele carro, por que eu que vi que você estava deitado ali não suspeitei que pudesse não se levantar?
Sentir seu corpinho embaixo da roda. Seu gritinho e a corrida desesperada que deixou até o médico de bichinhos surpreso por conseguir fugir com sua coluninha partida, seu corpinho partido ao meio.
O desespero das quase 36 horas de busca, às vezes ouvindo seu miadinho e pensando que não vinha porque estava com medo da sua mãezinha.
Você já não podia andar, não conseguia.
Sede, fome, calor embaixo daquela telha durante dois dias.
Seu corpinho sem respostas quando a mamãe te achou, esperando-me para dar um último miadinho e receber o último cafuné.
Esperando encontrá-lo para que a mamãe soubesse que você não estava com medo dela e sim querendo socorrinho, que a amava.
Meu pequeno herói.
O heróizinho que viveu pouco tempo, mas fez sua mãe tão feliz com sua presença.
Seu rabinho quebrado era seu charme, a barriguinha peluda que não se via pele, o sinal que vinha das sobrancelhas em direção às orelhas que lhe davam um ar diferente só seu.
A boquinha, os olhinhos...
A saudade dói demais, a casa está vazia Nakomilino, Nakombizinho, Nako, Nakombilindo, filhinho da mamãe.
Nakombi.
(12/03/2007-28/02/2008)