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quarta-feira, 22 de novembro de 2006

Singularidade Inicial


Eu juro que tento, mas não consigo me livrar desta ânsia de saber o princípio de tudo. Até que fazia bastante tempo que não tocava no assunto. Foi só ler a Época desta semana do meu colega de trabalho para tudo voltar.

A matéria falava sobre a ciência e fé, discutindo o fato da primeira querer acabar com a segunda.

Este não é meu maior drama, consigo compreender as duas no que tange a criação dos seres e do universo – pós big bang, diga-se de passagem. Consigo “misturar” as duas teorias. De que o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus, por exemplo. Acredito que somos semelhantes aos macacos e isto basta. Ou consigo compreender que foi criada a Terra em sete dias. Oras, em épocas mais remotas o tempo era medido de forma diferente, logo a discrepância é aceitável.

A ciência em si, também não me traz mais dúvidas nas coisas que já conseguiu provar. Acredito que um dia os continentes foram unidos, que passamos por eras diversas onde não era possível haver vida com o calor e/ou frio intenso de certas épocas.

A pergunta que não quer me calar é: antes do big bang, antes da minúscula partícula que deu origem a tudo, o que havia? Porque aconteceu? Como?

Estava até sossegada no que tange estas questões. Mas, bastou ler a matéria, especialmente um quadro que questiona: “Deus existe?” para todas as questões voltarem à tona. Lá Alexandre Mansur e Luciana Vicária mencionam que o grande trunfo dos cientistas ateus é lembrar que a origem do universo não deixa lugar para a criação divina.

Continuam: “Segundo as teorias mais aceitas, o que havia era algo homogêneo e estável, chamado singularidade inicial. Estável, exceto pela probabilidade ínfima de sofrer uma perturbação quântica. E foi o que ocorreu. Esta flutuação precipitou o big bang e à criação do cosmo. O que havia antes dela? Nada, segundo os cosmotologistas.”

(...)

“Isso porque, antes da singularidade inicial, não havia tempo. O tempo é uma medida de transformação da matéria. Antes desse processo existir, o tempo não existia.”

Opa, péra-la! Antes de tudo existir que não existia nada, nem tempo, eu imagino. Inclusive penso que antes de tudo nem Deus existia, porque um dia Ele não existiu. De onde Ele veio afinal? Como? Por quê? Do nada?

Singularidade inicial? Isto lá explica alguma coisa? Apenas deram um nome ao que eu nem ao menos sei perguntar.

E mais uma vez não responderam ao que eu queria realmente saber.

Ok, podem me presentear com uma camisa branca que amarra atrás e deixa os braços imobilizados, haha!

PS: a quem interessar possa, já postei sobre isto antes aqui e aqui.

segunda-feira, 28 de agosto de 2006

Balanço do final de semana

Não foi de festa, nem de passeio, nem de viagem.
Mas foi produtivo.
Começando que tive que trabalhar este sábado. Reunião no condomínio. E o pior não é nem isto. É ter que levar para casa o sapo engolido de gente que me odeia e leva para o lado pessoal uma das atribuições do meu trabalho: notificar obras erradas...
Já que não tem jeito, transformo isto no exercício da paciência e acredito que estou somando pontos no céu para quando morrer, rs.

De volta ao lar, tendo apenas eu como companhia, passei um final de semana de reflexão e faxina.
Na casa. Mas fica a sensação de que cada vez que limpo minhas coisas acabo limpando a alma junto.
Como se fosse um ritual.
Primeiro que adoooooooooooro ficar em casa. Também tenho prazer em estar sozinha.
Sou notívaga por natureza, e até as atividades chatas ficam legais durante a noite... tomando vinho.
Cuidando da bagunça, limpando meu cantinho, tirando o pó dos porta-retratos, jogando coisas que não prestam fora...
Paro, tomo uma taça de vinho, limpo, como algo gostoso, leio mais um trecho do livro que estou lendo, limpo... e penso... fico pensando, viajando, conversando com meus botões, organizando o turbilhão de pensamentos que me dominam.
No final de tudo, estou com o corpo exausto, mas sentindo a alma lavada no prazer da casa limpa.

Preciso comentar que a loucura do querer saber de onde viemos e principalmente por quê ainda me chamam para fora da realidade... Por isto, dei total atenção ao quadro Poeira das Estrelas do Fantástico e me decepcionei...
Ninguém é louco o bastante para viajar profundamente, mas tão fundo que responda minhas dúvidas...
Eles ficam sempre provando, provando, provando, que viemos do nada, que uma massa concentrada de muita energia um dia explodiu e criou o universo tal e qual existe hoje... de uma partícula minúscula e poderosa...
Mas de onde veio esta particulazinha... necas né? Ninguém descobre...
E se foi ela (a particulazinha) que deu origem ao nosso Deus...
Acho que já fiquei repetitiva demais... Mas fazer o quê, não sai da minha cabeça.
Acho que pensamento repetitivo também é TOC, vou procurar saber...

E, para a semana, a volta da sobrancelha ao normal... Tive que deixar crescer depois que um retardado detonou o desenho perfeito que a Dora tinha conseguido fazer... Juro que nunca mais volto lá... nem quando estiver com pressa. Um mês com uma taturana emoldurando os olhos serviram de lição.

quarta-feira, 2 de agosto de 2006

... e minha loucura não tem limites

Caramba, eu tenho uma necessidade enorme, que vem não sei porque lá de dentro de mim, em entender nossa existência.
Chega a ser sufocante em certos momentos, principalmente nos momentos pós-sono-mal-dormido, ou melhor definindo, mal acordados.
Já postei antes neste blog falando sobre o assunto:
http://carlacharmosa.blogspot.com/2006/07/cair-para-cima.html#links
Hoje ocorreu novamente.
Tive a oportunidade de viajar no assunto em Anjos e Demônios de Dan Brown, onde o cientista-religioso assassinado no livro era um ás do assunto.
Ele conseguiu provar no texto a possibilidade de nascer matéria partindo do nada, mas nada mesmo, no vácuo.
E, ainda que, o que ele prove seja verdade - não averigüei junto ao mundo cientifico a veracidade (risos) - isto sana só um pouco da curiosidade...
Ou nada da minha curiosidade.
Mas ainda não responde a questão: de onde veio Deus? e porque Ele (se foi Ele mesmo) quis fazer isto?
Porque minha questão é mais filosófica: saber o porquê de tudo.
Ai céus, em épocas remotas seria queimada na fogueira da inquisição por ousar pensar tais absurdos...
Ou, alguém de “hoje em dia”, possa me classificar como uma pessoa com mentalidade de criança de cinco anos – querendo saber o “porquê” de tudo.
Até eu quero me internar num hospício por insistir em querer saber tudo isto.
E também não sei responder por que eu quero saber tudo isto.
Será que um dia terei resposta?
O porquê somos, existimos... e por que eu quero saber sobre...
Como foi possível antes de tudo isto um dia haver nada e hoje haver coisas consistentes, feitas de matéria? (Ih, já esbarrei nesta questão antes!)
E também não esquecer dos espíritos, das almas, que não são de matéria, mas que existem, existem.
Bem, se viemos “do nada” e sem saber por qual razão, a existência de espíritos é apenas mais uma coisinha neste emaranhado de questões.
Mas acho que é melhor eu parar, já me comprometi demais.
Só para constar: estou orgulhosa de mim mesma, quatro pessoas jantaram comida "de verdade" na minha casa que eu mesma fiz.
Tá, confesso que exagerei, a quarta pessoa era contando comigo.
Mas todos gostaram, inclusive eu. E tinha feijão!

P. S.: Antes que me xinguem já vou explicando, o que eu conto sobre o livro do Dan Brown faz parte do enredo, ou seja, não estraguei o prazer da leitura de ninguém.

segunda-feira, 3 de julho de 2006

Cair para cima

Esta madrugada mais uma vez fui acordada pelo som do despertador, que já mostrei ficar no banheiro para assim eu ser obrigada a levantar cada vez que ele grita.
(Sempre volto para cama a fim de curtir mais nove minutinhos).
Acordo atordoada, assustada - acho que comum em qualquer mortal.
Ma, nestas horas, vem um pensamento recorrente. Hoje aconteceu mais uma vez durante aquela fase em que não acordei totalmente...
Mas, como ia contando, eu penso, meio sem querer, em como é engraçado tudo isto: existir.
"Eu existo, sou feita de matéria, 'dá para pegar'. Existe gente, existe o mundo, pessoas, vontades próprias, bichos, estrelas, almas... Esquisito".
De onde viemos? Do nada? Como isto é possível?
(Alguns considerarão heresia. Eu nem sei como classificar, simplesmente vem. E viajo.)
Falam que somos criaturas de Deus.
Tudo bem, até aí.
Mas, então, e Deus? De onde veio? Como surgiu? Por que criou os seres? Nos criou, com conceitos de bem e mal, vida e morte...
Antes Dele então? Não existia nada? Caraca! Alguma coisa (talvez Deus) que veio do nada!
Como nascer algo, os planetas, a Terra, as pessoas... assim do nada?"
E fico a pensar.
Não consigo encaixar estes pensamentos em nada óbvio, nem normal.
Não sou normal mesmo. Sou Chaves. Ou bem definida por mim: retardada.
Sou uma pessoa que quando deito na areia da praia e olho para o céu fico imaginando que "lá em cima" poderia ser "lá em baixo" e eu "cair para cima" de repente, quase real...
Sem nexo.
Volto a pensar, não encontro respostas. Acho que também nem poderia.
Queria achar alguém que já pensou estas coisas e encontrou uma resposta.
Ou que pelo menos me dissessem que não sou a única a duvidar e a crer.
Mas daí tenho que acordar. Porque existo, e já que é fato, preciso trabalhar.