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domingo, 12 de setembro de 2010

Olhos de Criança

Estava lendo este texto, que transcrevo abaixo, agora há pouco, no livro que dá titulo ao post “Olhos de Criança”, de Richard North Patterson.  Mais um dos livros das baciadas do Extra.

Estou na página 463 e creio que há cerca de cem delas passando por um julgamento.

Apesar do sono, do freela que tenho pra fazer, dos posts e e-mails para responder e de ter passado a manhã toda gravando um comercial para a Telefônica (voltarei a falar sobre isto neste ou no outro blog) não consigo largar o livro. Sou assim, talvez por isto mesmo venho evitando a leitura, porque este ano, definitivamente, tempo não foi algo comum na minha vida.

Ao livro:

“Diana se recostou, encolhendo-se mais. Parecia claro a Caroline que o que ela estava prestes a fazer violava suas crenças profissionais mais profundas.

- Minhas sessões com o Sr. Arias – disse ela por fim – indicavam uma intensa absorção consigo mesmo, uma profunda falta de empatia com outras pessoas, um desrespeito pelas normas sociais e regras consagradas de comportamento, uma tendência a projetar em outros seus próprios erros, uma falta de interesse pelos sentimentos ou crenças de qualquer outra pessoa, uma alto grau de desonestidade e de manipulação em relações interpessoais, uma desconfiança dos motivos de outras pessoas e, paradoxalmente, uma tendência para ver os outros estritamente segundo as necessidades dele próprio.

Diana fez uma pausa, franzindo a testa, como se resolvendo se devia ou não explicar o homem em si. Por fim, disse:

- Esse tipo de personalidade pode ter muito charme. Na verdade, o charme ajuda uma pessoa assim a conseguir o que quer e, enquanto as pessoas lhe derem o que quer, pode ser muito agradável, até mesmo alegre. Porém, se alguém se opõe a ele, o resultado pode ser raiva extrema e uma série de atos… frequentemente contrários ao comportamento comumente aceito – para atacar de volta a parte agressora. Assim era com o Sr. Arias.

Caroline fitou-a por um instante.

- Isso é um conglomerado impressionante de sintomas, Dra. Gates. Será que tem nome?

- Desajuste social.”

 

O grifo é meu, assim como a nota mental de vir reler este trecho SEMPRE, sempre eternamente.

Pois sinto que minha vida prospera desde que decidi que o passado é passado. Um brinde ao futuro!

domingo, 6 de junho de 2010

Feriado e algumas conquistas

Termino o feriado com sentimento de conquista no ar. Tenho que reconhecer um certo toque de Midas em algumas coisas que eu coloco as mãos. Dentre elas meu trabalho, meu blog de cosméticos, que mesmo sendo um prazer tem me trazido muitas coisas boas, dentre eles o contato de algumas marcas através de suas assessorias de imprensa. Sinal de reconhecimento.

Meu trabalho mesmo, é outra coisa que só o além pode explicar. Claro que não vou chover no molhado e falar aqui mais uma vez que eu amo o que faço e procuro sempre fazer bem feito. Talvez por isto, mesmo mandando tudo para as cucuias, meus dois chefes tenham vindo falar comigo e feito com que eu voltasse atrás.

O ruim disto tudo é saber que deixei minha família triste, porque eu tinha tomado a decisão de ir embora. E mais uma vez só posso agradecer a Deus por ter os pais que tenho e minha amada irmã Carol, pois diante de todo o meu desespero e impulsos insanos só fizeram apoiar (como sempre) qualquer decisão que eu tivesse tomado.

Eu sei que vocês lêem aqui de vez em quando, o blog estava trancado para evitar confundir quem fosse atrás do blog de cosméticos, mas agora publico meu amor e gratidão a vocês. Obrigada por tudo, sempre!

Agora as conquistas propriamente ditas, são bem modestas aos olhos de quem por ventura ler aqui, mas para mim significa muito. Consegui finalmente assistir dois filmes no DVD, coisas que desde o término do namoro eu não conseguia. Porque filme para mim era lembrança do namorado comigo, comendo torta, tomando vinho…

Mas tenho amigos, e com eles fugi para São Roque no final de semana prolongado que acaba hoje. Assistimos a filmes que eu escolhi, porque queria ver e não tinha visto pelos motivos descritos acima.

O primeiro deles foi UP, o filme do menino escoteiro que viaja na casa voadora (igual ao padre dos balões) e o outro foi Um Sonho Possível com a Sandra Bullock. Recomendo ambos.

Em São Roque também, fizemos um belo passeio pela cidade, mas desta vez nada do circuito conhecido que são as vinícolas. Ficamos rodando pela cidade, almoçamos uma bela feijoada, fim de tarde com chocolate quente italiano, uma outra descoberta que eu tinha feito esta semana num café perto do trabalho e já me viciou.

Também passei em duas lojas do tipo R$1,99, e consegui trazer para casa algumas tranqueiras que estão servindo nas mudanças e organização que estou fazendo por aqui. Tá ficando legal!

Agora vou voltar para os rascunhos dos posts do blog de mulherzinha, porque é este meu mundo “fútil” que tem feito com que eu consiga superar a barra ruim que, pelo jeito, passou!

Ah, só para deixar registrado, o curso de Urbanização de Favelas é mesmo muito puxado, mas tem assuntos muito legais, estou adorando aprender mais. Mas não progredi em nada este feriado, esqueci as apostilas que imprimi lá no trabalho e achei legal dar um tempo para a cabeça, mas terei muito o que ler esta semana.

Até a próxima!

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Olha eu no Clip do Zezé di Camargo & Luciano

 

Hahaha, nem gosto de sertanejo, mas não resisti na brincadeira. Olha aí que bafo ele pensando em mim em tudo o que vê?

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Larguei o emprego

Simples assim, tem horas que precisamos definitivamente mudar tudo. Recomeçar do zero, porque reformas muitas vezes carregam um pouco do antigo.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Reformas = Mudanças

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De volta a vida real a vida real me esperava. Na verdade a vida real não espera, ela acontece enquanto a gente sobrevive.

Chorar/desesperar/sucumbir? Não. Esta não era a alternativa correta.

Para ocupar a mente achei mais um passatempo: arrumar a casa, no sentido literal da palavra.

Como num processo de renascimento involuntário deu certo. Descascar a tinta desbotada de uma vida de mentira, varrer os restos de um quadro que nunca deveria ter sido pintado.

A porta, as paredes, o teto do banheiro… Todos sendo limpos do mofo do passado. A vida entra neste processo sem que eu perceba.

O processo vai ser demorado, porque a vida de lá de fora (os compromissos, os trabalhos) tem que ser vividos em conjunto, mas não tenho pressa, demore o tempo que tiver que demorar, nada de adiantar os ponteiros do relógio.

Descobri nas horas vagas um trabalho cansativo, mas recompensador… Porque como tentei registrar acima, as mazelas da alma entraram sem querer nesta reforma. Cada passada de espátula, cada remoção da tinta velha, cada buraco fechado numa parede, cada sujeira removida, não está só limpando minha casa, está limpando minha alma também – sem que eu perceba.

E, quando menos esperar, a terapia do faça você mesmo terá deixado tudo limpo, tudo pronto para cores novas que virão. Good vibes!

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Significados

Cada dia mais me convenço da nossa ignorância ante os designios de Deus. Vivemos uma vida muitas vezes a questionar… Queremos saber porque é permitido que soframos. Morreremos sem estas respostas.Outras vezes nos questionamos se nossos sofrimentos da alma são plausíveis diante de tantos outros sofrimentos reais (terremotos, assassinatos, perdas de entes queridos, fome…).

Entretanto, sinto que nossos sofrimentos são apenas nossos, se são de alguma forma mais ou menos dolorosos não importa, nem há comparação. Exatamente, porque o sofrimento de cada um, a cada um pertence.

Não há parâmetro para dor.

Se houvesse e também se houvesse opção de escolha de sofrimento, decerto escolheria sofrer de outros males, que não dos sentimentos.

A pergunta que inicia meu ano de 2010:

“Por que Deus? Por que permitiu que eu me doasse e acreditasse em um amor durante os cinco anos da minha vida, os cinco anos que julgo cruciais para alguém como eu que sempre sonhou em formar família, em amar e ser amada? Por que permitiu que eu vivesse um sonho irreal, por que me permitiu que eu entrasse num emaranhado difícil até de ser contado? Qual o propósito de tudo isto?”

Sei que esta pergunta não será respondida e devo abandoná-la, para o bem de minha alma, para o bem de minha vida.

Assim como achei que as dificuldades ao longo de todos estes anos fossem provações para um futuro feliz. Assim como achei que passar por cima de todas adversidades fossem prova de amor. Apenas errei. Errei por bons quase cinco anos…

Encarar a vida como perdida?

Tirar um lição de tudo isto, mesmo com a ferida exposta e tão recente? Na verdade, isto sim se transforma em meta de 2010.

E perdoar. Perdoar sim, todos os envolvidos. Porque a libertação da alma só vem através do perdão – e nem é de perdão Divino o que me refiro. Cito para mim mesma, como nota mental, já que não há outra alternativa (senão remoer o passado) que perdoar é me libertar para mim mesma.

Espero não errar novamente, espero que meu coração de pisciana não se deixe enganar mais uma vez, porque agora são 32 anos. E que o avanço da idade (outra nota mental) não seja condutor para decisões precipitadas – sim, porque pretendo amar novamente, quando esta dor de amor passar.

Se eu passei por tudo isto foi porque de certa forma permiti. Devo aceitar que ninguém nos machuca sem nossa permissão. E tirar disto uma lição. Talvez a mais difícil de todas.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Pequeno Príncipe

Hoje chegou pelos Correios um presente de natal atrasado: o livro ilustrado do Pequeno Príncipe.
Sabe o que é mais intrigante? Dias atrás estava justamente pensando nisto: "Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas!"




Por que cativas?

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Olívia

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Olívia é minha cachorinha querida, adotada das ruas de Jandira, estado de São Paulo, há pelo menos uns oito anos, talvez mais, não lembro direito (garanto que amanhã vou procurar os documentos dela pra ver).

Hoje ela mora em Natal, no Rio Grande do Norte. Esta mudança foi um acordo que fiz com minha mãe na segunda visita de férias da Olívia à casa nova dos meus pais: já que eu tinha começado a estudar novamente, ela ficaria, porque não seria justo para um cão ficar “abandonado”, já que eu saía para trabalhar às seis e só voltava da nova faculdade por volta da meia noite.

Foram meus pais que me ensinaram a amar os animais, não tinha como não achar melhor para vida dela esta decisão: uma casa grande que meu pai comprou e para onde se mudaram depois de sua aposentadoria. Pessoas em casa o dia todo dar amor, além de uma cachorrinha para servir de companhia para a Olívia.

Claro, que eu sentia falta, ela também. As visitas a cada ano, ela me esperando no aeroporto e ficando tão feliz ao ponto de ter incontinência urinária! Grudar em mim em todo o tempo que eu estivesse por aqui, sem falar na percepção da minha partida antes mesmo de eu recomeçar a fazer as malas. Juro, dois dias antes ela começava a trazer seus brinquedos para perto da cama que eu dormia e mergulhava numa espécie de depressão.

Mas, mesmo depois que me formei, resolvemos que ela ficaria. Imagina, trocar uma casa com quintal, amigos caninos (a tropa tinha crescido) por uma casa pequena, quase sem quintal e comigo saindo todos os dias para trabalhar? Não, realmente o melhor para a Olívia era continuar em Natal.

A cachorrinha incrível, minha Schnouzer do Paraguai, Olívia Loyola, a emergente que saiu das ruas para andar de avião e morar no Nordeste. A minha alma gêmea em forma de cão: tem alergia de pulgas (de ficar com bolinhas vermelhas na barriguinha), odeia acordar cedo, é extremamente ciumenta com suas coisas materiais (tudo que foi dado para ela, ela defende com latidos e dentes, e ninguém toma de volta) e morde mesmo se alguém se aproximar ameaçando quem ela ama – tudo igual a mim!

Só que a vida nem sempre é um mar de rosas e, como se não bastasse o sofrimento dos seus primeiros anos de vida, quando era uma simples vira latas de rua, cheia de sarna, uma perninha manca (talvez tenha sido atropelada), além de ser xingada de feia (tadinha, todo mundo falava pra eu colocá-la nestes concursos de cães mais feios), agora a bichinha é cega. A catarata tomou conta dos seus dois olhinhos.DSC09106 Eu já sabia que isto aconteceria, mas sei lá… Não acompanhei o processo gradual, da última vez que a vi ela ainda tinha a visão parcial. Fiquei realmente em choque.

Dinheiro para a cirurgia não tenho. Tentar levá-la para São Paulo, submetê-la a uma mudança agora, nestas condições, seria a pior covardia… Aqui é o portinho seguro dela: tem meus pais, que não mudam mais nada de lugar dentro de casa, tem seus companheiros (duas outras cadelinhas e um gato – o caolhinho que minha mãe achou na rua).

E, no meio de tudo isto, acho que ela não sofre tanto. Já está adaptada a sua nova condição. Sabe se virar, tateia devagarinho, anda se guiando pelas paredes, desvia de um pé de cadeira e vai levando… E nunca corre – ato que não mais nos permite mais ver a puxadinha da perninha manca que aparecia só quando ela era rápida, um dos seus charmes.

Brinca com as outras cachorras enquanto elas estão perto, mas, basta as duas outras cadelinhas dispararem na corrida para a Olívia ficar de fora, olhando sem ver, parada no seu canto. Afinal, já disse, ela não corre mais.

Meu coração dói, já perdi as contas das lágrimas derramadas desde a madrugada da segunda passada, quando cheguei aqui, depois de dois anos sem vir.

Revolto-me contra Deus, que permite que mais um animal que eu escolho para criar (a outra foi a Emília) sofra… Por que Senhor? Por que um ser que não peca, que não sabe falar para pedir ajuda, que não faz maldades com o próximo, por que ele sofre? Por que os animais sofrem?

Chego a duvidar que o Deus pai exista… Eu sofro e choro. Mas, você Olívia, eu amo, pra sempre!

PS: Um acalanto na noite foi este post, adorei o nome: Um homem guia para um cão cego. Fica o link.