Nunca mais barriguinha para cima igual a um cachorrinho.
Nunca mais esperinha no portão ou corridinha de algum lugar onde fazia seus passeios chegando atrasado na espera da mamãe.
Nunca mais um ronronar coladinho ao corpo.
Nunca mais espantar o corpinho preguiçoso no tapete do banheiro.
Nunca mais olhar a carinha sentada na água do box depois de lamber a deliciosa água do chão.
Nunca mais ouvir o croc-croc das mordidinhas na ração.
Nunca mais salvá-lo das alturas perigosas ou dos gatões malvados das gangues de rua.
Nunca mais desacreditar que gatos têm medo de água ao vê-lo chegar enxarcado da rua.
Nunca mais vê-lo brincar com caixas de papelão, bolinhas de papel ou sacos plásticos.
Nunca mais disputar de volta meu carretel de linha.
Nunca mais tirar a mãozinha enxerida da gaveta de bijouterias.
Nunca mais ver a cabecinha entrando embaixo da mão para receber cafunés.
Nunca mais ouvir o tilintar do guiso da coleirinha chique com strass.
Nunca mais ser chamado de Cocada, por causa da gravatinha que teimava em ficar em pé.
Nunca mais precisar ser pego para tomar doses de remédios porque simplesmente queria ser maloqueiro como os outros e inventou uma sarninha teimosa.
Nunca mais bronca porque roubou o saco de pão.
Nunca mais a felicidade por uma comidinha proíbida, mas deliciosa.
Nunca mais disputar um lugar no travesseiro com a cabeça da mamãe, ou chegar de mansinho de madrugada para dormir pertinho dela.
Nunca mais um pulo de supetão no colo.
Nunca mais uma deitadinha em cima do estabilizador quentinho.
Nunca mais um passeio em cima dos projetos de trabalho da mãezinha.
Nunca mais uma cochilada preguiçosa no telhado, ou chão ensolarado pela manhã.
Nunca mais...
Por que Nakombizinho você não saiu debaixo daquele carro, por que eu que vi que você estava deitado ali não suspeitei que pudesse não se levantar?
Sentir seu corpinho embaixo da roda. Seu gritinho e a corrida desesperada que deixou até o médico de bichinhos surpreso por conseguir fugir com sua coluninha partida, seu corpinho partido ao meio.
O desespero das quase 36 horas de busca, às vezes ouvindo seu miadinho e pensando que não vinha porque estava com medo da sua mãezinha.
Você já não podia andar, não conseguia.
Sede, fome, calor embaixo daquela telha durante dois dias.
Seu corpinho sem respostas quando a mamãe te achou, esperando-me para dar um último miadinho e receber o último cafuné.
Esperando encontrá-lo para que a mamãe soubesse que você não estava com medo dela e sim querendo socorrinho, que a amava.
Meu pequeno herói.
O heróizinho que viveu pouco tempo, mas fez sua mãe tão feliz com sua presença.
Seu rabinho quebrado era seu charme, a barriguinha peluda que não se via pele, o sinal que vinha das sobrancelhas em direção às orelhas que lhe davam um ar diferente só seu.
A boquinha, os olhinhos...
A saudade dói demais, a casa está vazia Nakomilino, Nakombizinho, Nako, Nakombilindo, filhinho da mamãe.
Nakombi.
(12/03/2007-28/02/2008)